Cobrança desnecessária
Incomodado com o linguajar feio dos alunos, o professor de alemão do Colégio Evangélico Jaraguá, em Jaraguá do Sul, resolveu cobrar R$ 0,10 por palavrão emitido. A punição gera polêmica e desnuda o problema educacional das famílias e escolas.
Desde pequenos, as crianças ouvem dos pais que falar palavrão é errado. Na maioria das vezes são reprimidos com tapas ou até mesmo com outra palavra feia. Ao invés de bater, as famílias deveriam explicar que estas expressões demonstram falta de educação, ausência de vocabulário, descompostura e, principalmente, desrespeito.
O problema não resolvido no ambiente familiar é transferido para as escolas. Espera-se dos professores, que têm a função de auxiliar na educação dos alunos, a reversão do fato sustentado durante anos em casa. Porém, deve-se analisar que a capacitação do corpo docente das escolas acontece apenas no fim dos semestres. Estes mestres (como eram chamados antigamente, quando ainda se respeitava o professor) mal pagos e sem cursos de atualizações não conseguirão sozinhos modificar este quadro.
Enquanto pais, professores e Estado não resolvem o problema, projetos como este de Jaraguá tomam conta das escolas brasileiras. São soluções paliativas, pois o sistema é que está defasado. Só com uma completa revisão da atual estrutura educacional teremos alunos educados e preocupados com o futuro do país.
Escrito por bruna.barcellos às 20h54
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Os contrastes da África durante o regime de Idi Amin
Se você quer assistir a um filme de drama que documente a história, vale verificar “O último rei da Escócia” (The last king of Scotland), lançado em 2006. Dirigido por Kevin Macdonald, a obra mostra os contrastes entre a África pobre e rica.
O enredo remete a ditadura de Idi Amin (1971 a 1979), interpretado por Forest Whitaker. Ao tomar o poder de Uganda, o general assassinou àqueles que foram infiéis ou criticaram o seu governo. A ajuda do médico recém-formado Nicholas Garrigan (James McAvov) tornou-se crucial para as atrocidades cometidas pelo novo líder da nação. Estima-se que mais de 300 mil pessoas morreram durante o regime. O ditador chegou a decepar as pernas e braços de uma de suas esposas por ela o ter traído com seu médico pessoal, Nicholas.
O cenário caótico, onde hospitais não funcionam, crianças e adultos passam fome, o presidente anda de carro novo e os cidadãos a pé, inspira reflexões acerca da contribuição do ser humano com os povos necessitados. Também mostra o quanto às questões políticas interferem diretamente na vida da população.
Com um orçamento de aproximadamente U$$ 6 milhões e a premiação de melhor ator do Oscar 2007 para Forest Whitaker fazem deste filme uma ótima opção. Ficção e realidade, pobreza e riqueza, poder e falsidade, tudo isso você encontra em “O último rei da Escócia”.
Escrito por bruna.barcellos às 20h49
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Alegria de pobre dura pouco
Querida filha,
Tenho péssimas notícias para lhe dar. Ontem, um oficial de justiça veio até aqui em casa. Fique calma, ele não me prendeu. Acho que a prisão seria muito melhor. Deixe-me te contar como tudo aconteceu.
Acordei pela manhã, como todos os dias, e tomei o café com um pedaço de pão. Não tinha chimia para colocar nele, mas antes que começasse a reclamar, pensei comigo mesmo: alguns não têm nem isso para comer e muito menos um teto. Neste dia, demorei bastante na refeição matinal.
Em seguida, levantei-me e fui tomar banho. Enquanto ensaboava o corpo, comecei a cantar a música de Adoniran Barbosa, cujo título é Despejo na favela. Bateu-me uma tristeza. Desde o dia em que aqueles homens de terno ficaram analisando cada pedaço desse terreno, não dormi mais direito. E a canção de Adoniran dizia exatamente isso: uma ordem de despejo aos moradores da favela. Resolvi tirar a tristeza de meu coração. Afinal, ainda tinha que ir às ruas catar papelão, lixo que aqueles empresários bem vestidos jogam no chão.
A tarde foi relativamente calma, fui até à prefeitura pedir ajuda e pela centésima vez eles recusaram. Disseram que meu barraco estava em um local irregular e não iriam contribuir com malandros. Fora isso, tudo ocorreu bem. Ultimamente não conseguia comprar nem a janta com o que catava. Mas neste dia consegui dinheiro suficiente para garantir a janta, o café da manhã do dia seguinte e a postagem da carta para você. Voltei alegre. Porém, como diz o ditado: “alegria de pobre dura pouco”. Quando cheguei, percebi as lágrimas no rosto de seu Clodoaldo, meu vizinho. Perguntei-lhe o que houve e ele soluçando me respondeu:
- Acabou, Genival. Temos que sair dos nossos barracos dentro de dez dias. E agora? O que faço? Onde vou colocar meus cinco filhos? Debaixo da ponte?
Tentei consolá-lo, mas minha tentativa foi em vão. Aquele homem tinha perdido o seu bem material mais precioso, o barraco de madeira, para o nosso maior inimigo, a prefeitura. Despedi-me dele e logo lembrei dos meus pensamentos durante a manhã. Infelizmente, Deus estava me avisando o que ia acontecer.
Minha querida filha, escrevo-te, talvez pela última vez nesse mês, para pedir que não se preocupes. Já estou velho, sei me virar sozinho e, além disso, não tenho muitos pertences. Assim que tiver morando em um local fixo, te aviso através de cartas. Cuide-se, pois a gente nunca sabe o dia de amanhã. Trabalhe para comprar a sua casinha, dar estudo a meus netos, pois se você depender dos nossos governantes, vai acabar como eu, na rua, sem destino. Beijo do seu pai que muito lhe ama, Genival.
Escrito por bruna.barcellos às 20h49
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Jornalismo opinativo, sim!
O jornalismo informativo, desde a década de 1950, como assinala o texto de Ana Paula Goulart Ribeiro, separou a informação da opinião pessoal do repórter. Tendência seguida pela maioria dos veículos de comunicação até os dias atuais. Infelizmente, a ausência de opinião, ou melhor, de posicionamente, tem feito com que as notícias sejam homogêneas, onde o leitor se informa apenas com o lead e isso lhe basta. É suficiente porque no decorrer do texto, ele apenas encontrará “de acordo com fulano”, “segundo beltrano”, “para ciclano”. Esse é o jornalismo isento e imparcial que pregam nas universidades e desejam alcançá-lo nas redações. No entanto, a teoria e a prática, como de costume, estão distantes. Mesmo com o discurso das fontes no texto, sempre acharemos a opinião do repórter embutida nas entrelinhas. Então, por quê não deixar sua opinião às claras? Seria mais fácil para o profissional e para o leitor. Ao menos, deveria se fazer uma reflexão, mostrar saídas, tendências. Afinal, este jornalismo que está sendo praticado no meio jornalístico catarinense não respeita o seu público e nem a si mesmo. Precisa-se de profissionais que queiram mudar este cenário, fazer a diferença. E, somos nós, acadêmicos de jornalismo, que temos a chance de praticar um bom jornalismo, onde informação e opinião andarão lado a lado, sem conflitos.
Escrito por bruna.barcellos às 19h49
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A responsabilidade social do jornalista
A responsabilidade social do jornalista
Desde quando ingressam na faculdade de jornalismo, os estudantes ouvem que a objetividade é uma das principais características da profissão. A partir de então, o aluno começa a escrever leads com informações básicas, seguido de citações dos entrevistados e uma pequena conclusão do assunto. Esquecem, às vezes, que a função primordial do jornalista é melhorar o meio social onde vive. Ideal impossível de ser alcançado com esse tipo de texto.
Como o jornalista Miguel Urbano Rodrigues disse em seu texto, cujo título é Sobre o editorial, “a objetividade absoluta (...) é um mito. Sendo o jornalismo um espelho da vida, não há neutralidade possível perante os fatos da mesma, o seu fluir, a sua essência”. Por este motivo, o jornalismo opinativo configura-se como a forma mais simples de transformar a vida da população.
É importante ressaltar que a ausência de objetividade não significa que a precisão factual e a ética serão abandonadas. Pelo contrário, pois a prática desse tipo de jornalismo traz obrigações adicionais, como maior checagem de informações, argumentação e o mínimo de erros.
Uma das vertentes do jornalismo opinativo é o editorial. Nele o veículo de comunicação expressa a sua opinião enquanto instituição. Ele geralmente é sisudo, formal e tem um vocabulário rebuscado. Segundo Luiz Beltrão, as principais características desse tipo de texto são: impessoalidade, topicalidade, condensalidade e plasticidade.
De acordo com Rodrigues, a definição do editorial como porta-voz do jornal é “frouxa e imprecisa”. Para ele, “esse texto deve ser a palavra, o pensamento, o sentir do jornal e não a opinião pessoal de fulano ou beltrano”. O mais adequado, conforme a opinião do jornalista, é um estilo de editorial com características que permitam ao leitor a ligação do texto à personalidade do jornal, que sinta nele o pulsar do sangue e das idéias do seu veículo.
Infelizmente, os jornais impressos brasileiros adotaram o modelo norte-americano de editorial, na seguinte estrutura: introdução, desenvolvimento e conclusão. O informativo (esclarecedor) e o normativo (exortador) são os mais recorrentes. Desta forma, o texto fica muito objetivo e pouco humano. Não traz assuntos que as pessoas gostariam de ler e por isso o editorial é elitista, são poucos os que o lêem.
Para modificar este cenário, é preciso ajustar as temáticas, incluindo assuntos como livro, música e personagens da comunidade. Enfim, fatos que interessem ao leitor. Rodrigues acrescenta que seria positivo alternar os textos mais densos e menos atrativos com aqueles em que a crítica social nasce do humor.
No texto “Sobre o editorial”, o jornalista fala essencialmente sobre o jornalismo praticado em Portugal. Lá, o editorial baseado em hipóteses e fantasias passou a fazer parte da rotina; a opinião importada, reproduzida em artigos de jornais do exterior, toma conta das colunas editoriais; além da utilização da mentira, calúnia e escândalo para a venda de exemplares.
Já no Brasil, o panorama é diferente. Aqui, os profissionais de comunicação esperam os fatos serem confirmados para depois escreverem sobre o tema. Geralmente, o fato só vira assunto do editorial depois de uns dois dias do acontecimento. A ética também está presente nos jornais impressos do país. São carregados de opinião, mas estas sempre são expressas com cautela e respeito.
Acredito que os estudantes de jornalismo e jornalistas devem se perguntar qual é o seu papel na sociedade. Se a resposta for um agente que tem a responsabilidade de melhorar o meio onde vive, este será um profissional que fará a diferença no mercado de trabalho. Não basta mais saber se expressar de forma clara, deve-se opinar, traçar soluções para os problemas da comunidade, e acima de tudo, escrever pensando no leitor.
Escrito por bruna.barcellos às 19h49
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Infidelidade partidária
Infidelidade partidária
É clichê, mas política é uma piada mesmo. Depois de muito discurso e pouca prática, finalmente a reforma política entrou na pauta da Câmara dos Deputados. Mas o sonho de resolução deste problema durou pouco tempo. Ontem, os legisladores demonstraram o respeito que têm pelos eleitores. O plenário aprovou o projeto com algumas modificações.
Uma das mudanças diz respeito à troca de partido. De acordo com o texto, durante os quatro anos de mandato o político terá um mês para efetuar a troca de legenda. O documento atende os interesses de quem já mudou e de quem ainda pretende mudar de partido. Ou seja, o recado para os brasileiros é que, para os ilustríssimos deputados, o importante é a prevalência da liberdade de escolha, mesmo que os cidadãos sejam prejudicados por esta premissa.
Após os escândalos do mensalão, da ineficiência de setores vitais para o país, como a Infraero, de ministros corruptos, os políticos ainda tentam enganar a população dizendo que cumpriram o seu papel e aprovaram a reforma política. Esquecem que no próximo ano acontecerá mais um processo eleitoral. Com certeza, a imprensa fará uma retrospectiva das notícias. Não tenham dúvida!
Porém, não se desespere caro leitor, ainda há uma esperança. Antes de se transformar em lei, as novas regras precisam ser aprovadas pelo Senado. Faça a sua parte para que o resultado seja completamente diferente. Mande e-mails emitindo sua opinião, converse sobre o assunto com colegas, faça passeatas, organize abaixo-assinados, enfim, não fique parado. Se mesmo com estas atitudes do povo brasileiro, o projeto ainda for aprovado pelo Senado, em outubro de 2008, você tem a oportunidade de mostrar a sua indignação através de um voto fiel, não aos partidos e muito menos aos políticos, mas sim aos seus princípios.
Escrito por bruna.barcellos às 19h48
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Editorial do Blog
Este blog complementa a aula de Redação Jornalística, do Curso de Jornalismo da Univali, ministrada pela professora Laura Seligman. O blog será usado apenas para atividades referentes a disciplina, pois não tenho interesse em mantê-lo no ar.
Escrito por bruna.barcellos às 19h46
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